Chloë Sevigny – Elle Brasil

Então pessoal, mais uma matéria a respeito de Chloë Sevigny, saiu na Elle Brasil do mês de Abril. Matéria superficial com título super idiota “a primeira hipster”, mas tá valendo para valorizar o conteúdo do blog aqui, que foi um post bem mais completo e profundo que essa matéria.

Voilá, clica que aumenta

 
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Chef’s Table – Série documental excelente da Netflix

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Chef’s Table conta seis histórias de  chef’s renomados e internacionalmente conhecidos. No meu caso, nunca tinha ouvido falar de nenhum, porque meu interesse por gastronomia sempre foi superficial, me bastando assistir o programa Chopped e outros reality show do gênero.

Mas o que a Netflix oferece nessa série documental, não é somente a questão da comida em si, mas sim as lições de vida que acompanham essas pessoas tão obstinadas, que apesar de fracassarem uma ou mais vezes, acabaram sucedendo de maneira inesperada e contínua.

Comentarei sobre cada episódio, expondo minhas opiniões bem pessoais para reflexão e também, se alguém já assistiu, eu adoraria uma interação maior sobre essa série.

Massimo Botura – A série começa triunfante, apresentando o mais megalomaníaco e divertido chef italiano, a história dele é perturbada, cheia de altos e baixos, envolvendo muito amor pela profissão, pelo cozinhar e inovar. Ele moderniza totalmente a culinária tradicional italiana, o que antes dele ser reconhecido, irrita muita gente e ele quase leva a falência seu restaurante, mas sua mulher, que não é mera coadjuvante de seu sucesso e sim grande razão, pede para que Massimo não desista, assim ele segue seu conselho e por mero acaso, um grande critico de gastronomia da Itália acaba conhecendo seu restaurante e o colocando nos holofotes, a partir daí, só sucesso, ganhou três estrelas Michelin (o que eu nem sabia o que era, pesquisa aí, é interessante saber) e está no top 5 dos melhores restaurantes do mundo, para poucos, certo?

O que faz me faz considerar o meu episódio preferido, não é só o fato, que ele é o mais bem sucedido, pelos prêmios, mas sim, pela bela história de amor que tem com sua companheira e pela sua carismática personalidade, ele é charmoso e sabe que o é.

Dan Barber – Ao contrário de Massimo, Dan Barber que é de Nova York, não é um dos caras mais carismáticos, ele é grosseiro com seus empregados e coloca a culpa de ser assim em seu background em Paris, aliás, Paris foi o lugar de 5 dos 6 chefs para aprender a cozinhar e ter técnica. Voltando à Dan, ele não é um cara muito legal, esse episódio em particular, mostra uma distância e frieza que Dan tem com as pessoas ao seu redor, mostrando sua mulher e sua pequena filha,  sem dar muito enfoque a ambas, a mulher quase não fala, o que é um contraste muito grande com o episódio de Massimo.

Porém o que Dan vem fazendo e mostrando para o mundo, não é pouca coisa. Ele está no negócio da alimentação sustentável, e o que sempre pode parecer um pouco maçante, é apresentado de forma clara, explicado de maneira sucinta como funciona um ecossistema de uma fazenda, e segundo Dan “se você trata a natureza de forma boa, a natureza te devolve sabores deliciosos”. No seu restaurante, Blue Hill, Dan oferece verduras e legumes crus e frescos para as pessoas provarem, como o gosto deve ser de verdade (livre de agrotóxicos), a forma apresentada desse prato é linda! Também me impressionei com a questão do trigo, Barber, critica a forma na qual o trigo é tratado hoje em dia, ele argumenta que não sentimos muito gosto no pão porque o trigo é utilizado de forma que seja não-perecivel, e a cada processo que passa, mais se perde de sua essência e seu gosto original.

Dan é chato mesmo, mas ele está tentando fazer a diferença, e é somente isso que importa.

Francis Mallmann – Um chef argentino de 59 anos, que fala três línguas, francês, inglês (com um vocabulário bem vasto) e obviamente o espanhol. Esse episódio pode ser interpretado de várias formas, o que é oferecido é uma paisagem maravilhosa da Patagônia e comidas rústicas que são cozinhadas de maneira primitiva, como por exemplo, alimentos enterrados na terra com brasa.

Francis é um cara intenso, que desde novo, buscou a liberdade de ser quem ele queria ser, sem ter a influência alheia. Parece que, ainda com 59 anos ele procura ter essa liberdade, que tanto fala, ele é um lobo solitário, só que ao contrário, tem muitas pessoas ao seu redor, mas sempre as afasta, ele só permanece 10 dias por mês com sua atual mulher. Quando seus funcionários  já estão sabendo demais, é hora de mandá-los embora, e assim vai.

Francis reflete e sabe que é egoísta, mas na cozinha, adora ter momentos com as pessoas que realmente gosta e beber muito, mas muito vinho! Também teve background em Paris e depois de refinar toda a sua técnica, volta para sua terra natal e utiliza a culinária sem tantas “frescuras”, porque é assim o jeito dele, quem gosta gosta, quem não gosta, curte!

Niki Nakayama – A única mulher dessa série, infelizmente, também já é segregada por ter origem japonesa e sua culinária naturalmente também é oriental. Niki tem o restaurante N/Naka em Los Angeles e por muito tempo foi escondido, porque não tem uma fachada chamativa e ela nem quer que tenha. Niki é moderada devido a sua criação de tradição japonesa, na qual o papel da mulher é respeitar os homens, só por serem homens.

Ela buscou a vida inteira não confrontar a sua família, mas sim provar que eles estavam errados, que ela ia suceder, que ela ia conseguir. Eu achei um dos episódios mais tocantes, ele tem um toque melancólico, em contraste dos seus pratos oferecidos que são coloridos, minuciosos e segundo, Niki, egomaníacos, pois é a única maneira que ela encontrou de se expressar!

Niki é muito fofa e tem muito amor em seu coração, que transmite de maneira delicada para sua culinária e sua vida pessoal, tendo ao seu lado sua sous-chef como parceira de vida.

Ben Shewry – O episódio mais chatinho, mostra a história do neo zelandês que consegue sucesso para seu restaurante Attica, colocando-o entre os 50 melhores do mundo. O segredo foi, quando ele deixou de imitar a culinária alheia e se focou nos ingredientes locais, aprendendo como os cozinhá-los e aprimorá-los, Ben atingiu o sucesso naturalmente. Ele vem de uma família super estruturada, com figura materna e paterna, tudo no seu devido lugar, inclusive seu pai é um herói de verdade que o salva de um afogamento quando era criança, o que ele traduz em um dos seus primeiros pratos criados envolvendo os sabores do mar. Gente boa, mas episódio tedioso.

Magnus Nilsson – Muito peculiar a localização do seu restaurante que é em Faviken na Suécia, um lugar remoto e de difícil acesso. Magnus não esconde que é ambicioso, ele é muito direto e racional, seu triunfo é resgatar as origens nórdicas e traduzi-las de maneira inovadora, e obviamente deliciosa. Para os meses de intenso frio, que nada cresce ao seu redor, Magnus aprende e aprimora técnicas de conservação, que viram opções no seu menu.  Episódio interessante pelas paisagens cinzentas e por mostrar um lado da culinária não muito explorado, os pratos são servidos de formas teatrais remetendo ao mundo antigo dos Vikings. O chef nórdico sempre soube o que queria e conseguiu, ficou na posição 19ª dos melhores restaurantes do mundo.

E é isso pessoal.

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WGSN – CHLOË SEVIGNY

WGSN apontou nesse mês de maio a Chloë Sevigny, que foi o assunto do post anterior, como um ícone para inspiração em criações de moda e design para os assinantes do site se influenciarem.

Moda e comportamento é isso, você percebe um tremor no ar, uma tendência a se apegar a algo ou alguém, no meu caso, fiquei ligeiramente obcecada pela Chloë, e fiz esse post, e vem o maior site de previsão de tendências e fala a mesma linguagem, bacana, né?

Clica na imagem para baixar o PDF do WGSN.

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Beijos!

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Chlöe Sevigny e sua coolness

Chlöe Sevigny é a representação da individualidade contemporânea. A princípio, seu visual, atuações em filmes e aparições em campanha de moda, podem ser interpretados como fenômeno, mas Chlöe está há muito mais tempo como um ícone fashion e cult do que representa. Afinal, ela está na casa dos 40 anos e relembrando que ela impactou muito a década de 90 com seus looks aparentemente sem esforços, mas ultra cool e dignos de relembrar e sua aparição no clipe da banda Sonic Youth “Sugar Kane”.

Sua fama não é efêmera, desde que fez o papel emblemático em Kids, filme de 1995, que retrata a epidemia da Aids no EUA, Sevigny está fazendo a sua vibe. Ela é autêntica, e admitiu que ao desfilar do lado de Kate Moss para a grife Miu Miu em 96, que se sentiu deslocada, afinal ela é uma legítima weirdo. Não é necessário enfatizar que sua beleza não consta nos padrões, o objetivo desse post é propor uma reflexão sobre Chlöe como um ícone de estilo moderno.

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Kate Moss & Chöle em desfile da miu miu 1996

Em entrevista para o site Net-a-Porter, conduzida nada menos que Leandra Medine, a conversa é sobre a moda,  e na visão de Chlöe,  o jeito de se vestir sempre foi uma opinião e afirmação, refletindo como ela se sentia consigo mesma naquele momento. Ela admite que não entende a onda atual de ser gótico e se vestir da cabeça aos pés de Givenchy e atualmente está usando peças da Comme des Garçons e Jean Paul Gautier vintage.

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Chöle explana sobre o seu livro que está sendo elaborado, segundo ela, é um apanhado de fotos, curtas, tudo pessoal, como se fosse um scrapbook. O desejo de Chlöe é que o livro seja intemporal, sua explicação: nada muito íntimo, nem grandioso, um livro sem estilo, com algumas palavras escritas por Kim Gordon e Natasha Lyonne. A finalidade desse livro é que as pessoas se sintam otimistas e tenham apreço pela autenticidade. Obviamente, tudo o que Chlöe representa.

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Em outra matéria muito bem elaborada pela revista Dazed, são listados os melhores momentos fashion de Chlöe. Destaco a campanha para a Miu Miu de 1996 (ela foi escolhida como uma musa fresh pela Miucca Prada). O look dela para o filme artístico e pretensioso (na minha humilde opinião) The Brown Bunny, aliás, abre parênteses, acho Vincent Gallo um antipático chatonildo.

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Chöle em filme cult “The Brown Bunny”

Chlöe e Liv Tyler participaram de um filme completamente artístico divulgando a coleção de primavera-verão para a grife Proenza Schouler.  Para os estilistas por trás da marca, o motivo da escolha do casting foi “nós declaramos essas mulheres nossas musas, porque foram elas que nos mantiveram criativos e inspirados ao longo desses anos”.

E para se sentir mais íntima ainda dessa intrigante moça, há uma matéria em um jornal, na qual ela explica a decoração em seu apartamento em Nova York. O que eu mais gosto dessa matéria, é que Chlöe comenta sobre sua rotina de comprar flores, o que para mim, a primeira vista, pareceu inusitado, mas depois que percebi que tinha uma imagem errada dela, um preconceito do tipo:  ela não poderia ser caseira e cuidar do seu apartamento,  ela era um ícone fashion que frequentava os melhores eventos, porém a graça de tudo isso é a sua versatilidade, é nisso que compõe a legitimidade natural de Chlöe Sevigny.
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E para finalizar, atualmente ela criou uma conta no Instagram, repleta de referências interessantes e fotos inusitadas!

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Moda – John Galliano na Maison Margiela e suas influências

Quando eu soube que John Galliano assumiria a posição de diretor criativo na grife belga Maison Margiela, isso fez muito sentido para mim, mas não teria feito, se eu não tivesse realizado meu trabalho de conclusão do curso de Moda sobre o Leigh Bowery.

Leigh Bowery foi um ícone marcante e controverso da década de oitenta, da cena underground da moda de Londres.  Acima de tudo, ele era um artista, utilizava a performance como meio de se expressar a sua arte e criatividade vanguarda para moda, produzindo seus próprios figurinos. Ele era amigo de pessoas influentes como Boy George e o pintor alemão Lucian Freud, que o retratou. Infelizmente ele não é uma figura muito conhecida no Brasil.

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Leigh Bowery em uma sessão fotográfica

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Lucian Freud e Leigh Bowery

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Boy George e Leigh Bowery

Desenvolvi meu TCC para entender a influência de Bowery no mundo atual da moda, o que eu encontrei foi incrível: os estilistas mais renomados e vanguardas foram inspirados por Leigh. Citando alguns: Alexander Mcqueen, Rei Kawakubo, Jeremy Scott e é claro, John Galliano e Maison Margiela.

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Leigh Bowery e Commes des Garçons (2012)

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Jeremy Scott (2012) e Leigh Bowery

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Leigh Bowery e Alexander McQueen (2009)

A Maison Martin Margiela é uma grife de origem belga que também segue pela linha da desconstrução fashion, segundo Gill (1998), Margiela é um exemplo, pois suas roupas são compostas de diversas outras peças de roupas, utilizando linhas, zíperes, trazendo à tona os segredos de uma roupa, ou seja, a desconstrução na moda pode ser compreendida como a utilização de roupas acabadas como matéria-prima para confecção de novas peças, atribuindo às roupas usadas como material, uma nova função diferente do seu uso original, como pode ser visto na imagem abaixo, o uso inusitado das luvas de beisebol.

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Desfile de Alta Costura 2012

As formas das roupas são distorcidas de modo que não sejam repreendidas e sim colocadas em evidência, isso explora a ideia que o corpo pode ser modelado a partir do desejo de estética de cada um.

John Galliano também teve contato direto com Leigh Bowery, fizeram algumas festas juntos. Mas, segundo Tilley, biógrafa de Bowery, mesmo naquela época no início da carreira de Galliano, ele já era uma celebridade da moda local. Galliano é conhecido por sua passarela teatral, performática, roupas sinuosas e uma forte maquiagem acompanhando toda sua estética avant garde circense.

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Leigh Bowery em roupa performática e Galliano

Para ilustrar, o que expliquei acima, abaixo segue as montagens com as fotos que expõem as semelhanças e inspirações que Margiela e Galliano, obtiveram através de Leigh Bowery.

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Leigh Bowery e Maison Margiela (2009)

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Leigh Bowery e Maison Margiela (Alta Costura, 2013)

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Leigh Bowery e Christian Dior 2006 (por John Galliano)

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Trojan e Bowery, John Galliano 2003

Explicado uma parte do que uniu Galliano e Margiela, a conversa agora é sobre o atual desfile da Maison na coleção outono-inverno 2015. Segundo o site Style, Galliano adquiriu uma confiança desde o primeiro desfile, pois teria sido bem aceito. Percebo o Galliano em sua média potência  e um contido Margiela, apesar do Style apontar que em alguns looks Galliano replicou peças antigas da grife belga, o que na verdade não importa, porque o que era melhor do desconstrutivismo já foi criado pela grife. Agora Margiela entra em uma nova era, uma nova estética, trazida por este britânico genioso (e gênio) e egocêntrico. Para mais imagens do desfile, aqui.

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O chapéu, luvas e o pacote de papel remetem ao personagem Blanche DeBois

Vendo este desfile, sinto que Galliano está correndo atrás do tempo perdido, vejo uma influência clara do trabalho do Hedi Slimane para a Saint Laurent (que aumentou suas vendas em lojas em 40% desde que entrou), mas com a percepção de Galliano, as peças inspiradas ficam ainda melhores.

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Semelhança com o desfile de Primavera Versão 2014 do Saint Laurent

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É interessante ler as críticas dos sites de moda, muitas vezes elas trazem boas explicações das influências do estilista, afinal, para ser um crítico de moda, não se deve deter somente em conhecer a moda em si, e sim a cultura em que estamos inseridos.  Uma das inspirações que acompanham John Galliano é a Marchesa Luisa Casati (1881-1957) (tem um post muito explicativo no blog, Moda Histórica).

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Marchesa Luisa Casati

Resumindo: Ela nasceu em Milão, era uma milionária exibicionista (Leigh Bowery era extremamente exibicionista), tinha um estilo de vida extravagante e de excessos e usava maquiagem que branqueava o rosto e apostava em ressaltar seus olhos com lápis preto, deixando-a com aspecto de cadáver. Luisa usava cobras de verdade como colares, ela era teatral e se vestia muito de preto. Amava bichos selvagens como onças e guepardos. Enfim, a Marchesa era uma persona de altíssima peculiaridade e fonte de uma inspiração infinita para o estilista Galliano.

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Bem como, a personagem Blanche DuBois, vivida por Vivien Leigh no filme “A Streetcar Named Desire”, no qual Marlon Brando era um dos protagonistas (como ele era lindo, né?). Blanche era uma mulher com problemas psicológicos que beiravam a um ataque de nervos, o filme, de fato é sensual na sua histeria, e DuBois adorava roupas luxuosas, estolas de raposas e joias de pérolas verdadeiras, também excêntrica assim como a Marchesa, o personagem de Blanche foi impactante para sua época. Parece que Galliano é um estilista de um background riquíssimo em histórias de personagens polêmicos, marcantes e controversos, bem como ele é.

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Vivien Leigh, Blanche DeBois em “A Streetcar Named Desire”

Assim, termino esse post com algumas indicações:

The Legend of Leigh Bowery (documentário) / para entender melhor sobre quem ele foi

A Streetcar Named Desire (filme) / clássico

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Moodboard – Friday

No Pinterest eu tenho um board que se chama “Fridays  (Inspiration Board)”, significa que normalmente nas sextas-feiras eu costumo pinnar algumas imagens que remeta ao clima ou meu humor, mas nada literal.

Por exemplo, hoje resolvi fazer essa montagem das imagens que podem me inspirar para fim de semana ou qualquer outra coisa. Pode ser um look, uma música para se ouvir, uma ação,  um pensamento a ter, e assim vai.

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Prince e seu sobretudo metalizado/Modelo descansado em uma espécie de cadeira rustica/Um modelo sendo bem andrógeno e me remete um pouco ao Leigh Bowery/A menina da faquinha é de uma campanha alternativa da marca de acessórios de uma brasileira que está vivendo no Brooklyn (entrevista aqui).

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Ensaio sobre o nada: Minimalismo como estilo de vida

Irvana Carpio é holandesa e cultiva um estilo no qual a cor predominante de suas vestimentas são brancas e as modelagens retas, dificilmente encontra-se logo em suas roupas e no máximo que vemos é o símbolo da Nike, marca da qual Irvana tem grande apreço.

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Irvana Carpio

Em seu blog, Irvana ensina como fazer peças de roupas minimalistas e até bolsas, visto que seu gosto peculiar nem sempre é encontrado em lojas de roupas comuns. O corte de cabelo e cor de Carpio acompanha no estilo mais minimal possível, liso e platinado, ele já foi um pouco lilás, o máximo de cor que ela se permitiu. Em alguns posts, ela explica aos poucos, porque ela tem essa preferência estética e de estilo de vida, visto que até a sua filha usa uma vestimenta mais limpa, sem detalhes.

Será que Irvana tem um transtorno obsessivo compulsivo? Será que Irvana escuta música ou só arranjos exatos de notas? Será que Irvana se alimenta de coisas coloridas (risos)? Será que Irvana…

Algumas perguntas são levantadas, não aceito apenas o que vejo, quero saber o motivo por trás de tanta busca pela pureza, e nesta pergunta, Irvana responde em um post recente no qual o título é: “AN ODE TO NOTHING/NOTHING IS EVERYTHING” (em português “Um ode ao nada, nada é tudo”).

O post é curto, mas é certeiro. A holandesa diz que a ausência de algo permite que ela se inspire, parafraseando ela: um sketchbook com páginas em branco, uma t-shirt sem estampa totalmente branca, uma tela sem tinta, embalagens sem rótulos, imagine todas as possibilidades que se encontram nesses itens. É então nessa falta de algo que a Irvana ama a cor branca, pois ela é a ausência de qualquer coisa.

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Algo em branco

Ou seja, se tudo já está completo e cheio, não há nada a ser adicionado. Para Irvana o “nada” e poucos recursos a fazem ser mais criativa e inovadora, e em tempos que ela não tinha dinheiro, ela foi forçada a ser esperta e solucionar questões e para ela existe a felicidade de ter tido nada ao invés de tudo.

Garance Doré, fotógrafa e ilustradora francesa, fez um post em seu blog, no qual aponta a vontade de simplificar a sua vida, desde a sua bolsa, usar uma menor e somente uma até o corte de cabelo. Garance é francesa, em geral, os franceses me parecem mais simples que os americanos, mas a própria Garance por estar no meio da moda, fala da dificuldade de se desfazer de coisas, afinal, se você está inserido nesse contexto, você precisa mais de 3 peças de roupas para poder falar de moda.

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Ilustração de Garance Doré

Nessa necessidade de simplificar a vida, que surgem dois amigos, Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, que se depararam com a questão de que não estavam felizes com todos os bens materiais adquiridos e precisavam fazer algo a respeito: largaram o emprego e fundaram um site sobre isso. Eles dão palestras e muitas entrevistas, o foco deles é: com menos coisas, você terá mais. Mais o que? Mais tempo, mais liberdade, mais crescimento pessoal e até mais saúde. E não é que é verdade?

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Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus

Com menos coisas, você tem menos distrações, porque a distração existe para preencher o vazio, o tão temido vazio existencial. A Irvana gosta do vazio, do vazio do branco, ela fica calma com isso e se inspira, Joshua e Ryan te perguntam “como sua vida poderia ser melhor se você possuísse menos coisas”?

Em tempos caóticos de consumismo no qual se encontramos, todos esses movimentos me fazem pensar, eu mesma, tenho problemas com consumo e grande parte do meu salário vai para bens materiais desnecessários e fúteis. Admitir isso, já é o primeiro passo para uma vida melhor, o problema é que o ciclo vicioso é tão grande, que é difícil sair dele. Para isso, é necessário praticar uma meditação e aprofundar no meu ser e centralizar e canalizar minhas emoções, porque gasto muita energia em coisas bobas. Ou seja, vou simplificar minha vida colocando minha energia em coisas que realmente importam.

Uma das válvulas de escape desse consumo desenfreado é uma boa leitura, e um livro que conversa totalmente com esse post e o minimalismo é o “Reconhecimento de Padrões” (William Gibson). O livro conta a história da coolhunter Cayce Pollard, ela é muito mais do que simplesmente uma pessoa antenada, ela profetiza e percebe tendências cruciais para os negócios e por isso é procurada por corporações. Aonde entra o minimalismo? Cacey tem alergia a rótulos e a certos logos, e só se veste da mesma maneira sempre: calça jeans, t-shirts básicas e uma jaqueta de couro chamada Buzz Rickson. O livro tem suspense, drama e eu recomendo-o muito para quem se interessa por tendências comportamentais.

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Um suposto board sobre o estilo de Cayce

O minimalismo como um todo pode ser entendido como a ausência de algo e o simplificar qualquer coisa. Também pode ser um movimento contra todo esse ritmo louco no qual estamos vivendo, essa urgência danada da vida urbana e smartphones. A Box1824 traz o estudo da macrotendência “Quiet Bliss”, uma forma de minimizar o impacto de todas as interferências e poluição para os nossos ouvidos e olhos.

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Imagem de capa

O silêncio se torna necessário, ele é valorizado, pois a partir dele é possível resgatar o equilíbrio e a criatividade pessoal. Entendem? A Box1824 fala a mesma coisa que a Irvana falou: o menos = criatividade.

Vocês percebem a ironia disso tudo? Em um post anterior mostrei como eu faço pesquisa de moda, porque eu trabalho em uma empresa fast-fashion, mas a verdadeira criatividade está no nada. A partir do nada, se cria.

Afinal, não foi assim que a JK Rowling criou o mundo do Harry Potter? Em uma viagem de trem, do nada, surge um pensamento “menino bruxo não sabe que é bruxo vai para a escola de bruxos”. JK não precisou se entupir de informações, buscar livros antigos de bruxaria ou copiar um trabalho alheio, JK usou o ócio, o nada, e a criatividade veio, aflorou, como um deus interno.

E é nesse espírito que termino esse post, pois agora realmente compreendo o que significa a banal frase “less is more”.

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