Chef’s Table – Série documental excelente da Netflix

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Chef’s Table conta seis histórias de  chef’s renomados e internacionalmente conhecidos. No meu caso, nunca tinha ouvido falar de nenhum, porque meu interesse por gastronomia sempre foi superficial, me bastando assistir o programa Chopped e outros reality show do gênero.

Mas o que a Netflix oferece nessa série documental, não é somente a questão da comida em si, mas sim as lições de vida que acompanham essas pessoas tão obstinadas, que apesar de fracassarem uma ou mais vezes, acabaram sucedendo de maneira inesperada e contínua.

Comentarei sobre cada episódio, expondo minhas opiniões bem pessoais para reflexão e também, se alguém já assistiu, eu adoraria uma interação maior sobre essa série.

Massimo Botura – A série começa triunfante, apresentando o mais megalomaníaco e divertido chef italiano, a história dele é perturbada, cheia de altos e baixos, envolvendo muito amor pela profissão, pelo cozinhar e inovar. Ele moderniza totalmente a culinária tradicional italiana, o que antes dele ser reconhecido, irrita muita gente e ele quase leva a falência seu restaurante, mas sua mulher, que não é mera coadjuvante de seu sucesso e sim grande razão, pede para que Massimo não desista, assim ele segue seu conselho e por mero acaso, um grande critico de gastronomia da Itália acaba conhecendo seu restaurante e o colocando nos holofotes, a partir daí, só sucesso, ganhou três estrelas Michelin (o que eu nem sabia o que era, pesquisa aí, é interessante saber) e está no top 5 dos melhores restaurantes do mundo, para poucos, certo?

O que faz me faz considerar o meu episódio preferido, não é só o fato, que ele é o mais bem sucedido, pelos prêmios, mas sim, pela bela história de amor que tem com sua companheira e pela sua carismática personalidade, ele é charmoso e sabe que o é.

Dan Barber – Ao contrário de Massimo, Dan Barber que é de Nova York, não é um dos caras mais carismáticos, ele é grosseiro com seus empregados e coloca a culpa de ser assim em seu background em Paris, aliás, Paris foi o lugar de 5 dos 6 chefs para aprender a cozinhar e ter técnica. Voltando à Dan, ele não é um cara muito legal, esse episódio em particular, mostra uma distância e frieza que Dan tem com as pessoas ao seu redor, mostrando sua mulher e sua pequena filha,  sem dar muito enfoque a ambas, a mulher quase não fala, o que é um contraste muito grande com o episódio de Massimo.

Porém o que Dan vem fazendo e mostrando para o mundo, não é pouca coisa. Ele está no negócio da alimentação sustentável, e o que sempre pode parecer um pouco maçante, é apresentado de forma clara, explicado de maneira sucinta como funciona um ecossistema de uma fazenda, e segundo Dan “se você trata a natureza de forma boa, a natureza te devolve sabores deliciosos”. No seu restaurante, Blue Hill, Dan oferece verduras e legumes crus e frescos para as pessoas provarem, como o gosto deve ser de verdade (livre de agrotóxicos), a forma apresentada desse prato é linda! Também me impressionei com a questão do trigo, Barber, critica a forma na qual o trigo é tratado hoje em dia, ele argumenta que não sentimos muito gosto no pão porque o trigo é utilizado de forma que seja não-perecivel, e a cada processo que passa, mais se perde de sua essência e seu gosto original.

Dan é chato mesmo, mas ele está tentando fazer a diferença, e é somente isso que importa.

Francis Mallmann – Um chef argentino de 59 anos, que fala três línguas, francês, inglês (com um vocabulário bem vasto) e obviamente o espanhol. Esse episódio pode ser interpretado de várias formas, o que é oferecido é uma paisagem maravilhosa da Patagônia e comidas rústicas que são cozinhadas de maneira primitiva, como por exemplo, alimentos enterrados na terra com brasa.

Francis é um cara intenso, que desde novo, buscou a liberdade de ser quem ele queria ser, sem ter a influência alheia. Parece que, ainda com 59 anos ele procura ter essa liberdade, que tanto fala, ele é um lobo solitário, só que ao contrário, tem muitas pessoas ao seu redor, mas sempre as afasta, ele só permanece 10 dias por mês com sua atual mulher. Quando seus funcionários  já estão sabendo demais, é hora de mandá-los embora, e assim vai.

Francis reflete e sabe que é egoísta, mas na cozinha, adora ter momentos com as pessoas que realmente gosta e beber muito, mas muito vinho! Também teve background em Paris e depois de refinar toda a sua técnica, volta para sua terra natal e utiliza a culinária sem tantas “frescuras”, porque é assim o jeito dele, quem gosta gosta, quem não gosta, curte!

Niki Nakayama – A única mulher dessa série, infelizmente, também já é segregada por ter origem japonesa e sua culinária naturalmente também é oriental. Niki tem o restaurante N/Naka em Los Angeles e por muito tempo foi escondido, porque não tem uma fachada chamativa e ela nem quer que tenha. Niki é moderada devido a sua criação de tradição japonesa, na qual o papel da mulher é respeitar os homens, só por serem homens.

Ela buscou a vida inteira não confrontar a sua família, mas sim provar que eles estavam errados, que ela ia suceder, que ela ia conseguir. Eu achei um dos episódios mais tocantes, ele tem um toque melancólico, em contraste dos seus pratos oferecidos que são coloridos, minuciosos e segundo, Niki, egomaníacos, pois é a única maneira que ela encontrou de se expressar!

Niki é muito fofa e tem muito amor em seu coração, que transmite de maneira delicada para sua culinária e sua vida pessoal, tendo ao seu lado sua sous-chef como parceira de vida.

Ben Shewry – O episódio mais chatinho, mostra a história do neo zelandês que consegue sucesso para seu restaurante Attica, colocando-o entre os 50 melhores do mundo. O segredo foi, quando ele deixou de imitar a culinária alheia e se focou nos ingredientes locais, aprendendo como os cozinhá-los e aprimorá-los, Ben atingiu o sucesso naturalmente. Ele vem de uma família super estruturada, com figura materna e paterna, tudo no seu devido lugar, inclusive seu pai é um herói de verdade que o salva de um afogamento quando era criança, o que ele traduz em um dos seus primeiros pratos criados envolvendo os sabores do mar. Gente boa, mas episódio tedioso.

Magnus Nilsson – Muito peculiar a localização do seu restaurante que é em Faviken na Suécia, um lugar remoto e de difícil acesso. Magnus não esconde que é ambicioso, ele é muito direto e racional, seu triunfo é resgatar as origens nórdicas e traduzi-las de maneira inovadora, e obviamente deliciosa. Para os meses de intenso frio, que nada cresce ao seu redor, Magnus aprende e aprimora técnicas de conservação, que viram opções no seu menu.  Episódio interessante pelas paisagens cinzentas e por mostrar um lado da culinária não muito explorado, os pratos são servidos de formas teatrais remetendo ao mundo antigo dos Vikings. O chef nórdico sempre soube o que queria e conseguiu, ficou na posição 19ª dos melhores restaurantes do mundo.

E é isso pessoal.

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Sobre roos.evelyn

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